As paisagens mais incríveis que já vi

by Bruno Marangoni – 7 min de leitura

Eu sempre fui apaixonado por grandes paisagens, daquelas que impressionam. Minhas inspirações sempre foram os livros. Quando eu lia livros como O Senhor dos Anéis e Angus, ou quando assistia diversos filmes, sempre ficou claro para mim que as paisagens são o que marcam.

Gosto daquele sentimento de sentir-se pequeno e saber que moramos num mundão imenso, abundante e rico em diversidade e dimensões.

Sou louco para sentar na janela do avião, do carro ou mesmo do busão. Sempre fui acostumado com as paisagens agrícolas da região oeste do Paraná. Afinal, pode parecer redundante, mas somos acostumados com o que nos é familiar.

Quando pegamos o voô no dia 06 de janeiro deste ano, no aeroporto de Puerto Iguassu (IGR) rumo a Buenos Aires, onde fizemos escala, foi incrível acompanhar parte do trecho o Rio Paraná escorregando entre as planícies logo lá em baixo, até desembocar no mar, ao lado da capital argentina. Afinal de contas é o rio que passa ao lado da cidade que eu e Palominha vivemos, Foz do Iguaçu, que passa pela barragem da Itaipu e recebe as águas das Cataratas do Iguaçu.

Vista do Rio Paraná próximo a Buenos Aires

Logo que saímos de Buenos Aires rumo a El Calafate pude avistar a região dos Pampas, uma vasta planície com muitas plantações, provavelmente por ser uma região com solo rico em nutrientes. Mas a baixo a coisa começou a mudar vagarosamente para uma paisagem mais arenosa, com menos plantações e com espécies de pequenos lagos secos, por toda parte. Até que finalmente, se aproximando de El Calafate, já se tornava uma região desértica com pequenas vilas e muitas pequenas estradas.

A paisagem era de pequenas “mesetas”, uma área de solo elevada com o topo plano. E toda região possuía pequenos arbustos espalhados. Até que uma vista incrível mudou a paisagem!

Ali estava o Lago Argentino com sua coloração esverdeada em contraste com todo aspecto arenoso do lugar. Uma vista incrível. Até que pousamos no aeroporto (não sei se foi estrategicamente construído as margens do Lago Argentino de propósito) e pegamos um táxi até El Calafate, que ficava a 23 km. O clima estava seco e fazia alguns dias que não chovia, por isso a maioria dos arbustos estavam secos.

El Calafate as margens do Lago Argentino

Enfim chegamos na graciosa cidadezinha de El Calafate. Eu me apaixonei com tudo ali. Primeiro que, de um lado havia uma pequena montanha (ou meseta), e do outro lado o Lago Argentino. É uma vista incrível! Em pensar como deve ser morar ali. E ainda tem o inverno onde tudo fica branco. É completamente diferente de onde morei até hoje.

Próximo a Costaneira

Ali existe uma linda costaneira que tem cerca de 7 km de extensão nos leva a um belo passeio, onde pudemos avistar flamingos e outras aves aquáticas, muita vegetação aquática, a vista distante da linda El Calafate, um belo Haras com lindos cavalos, e as ondinhas do Lago Argentino quebrando na praia cheia de pedras.

El Calafate

Logo, saímos em uma pequena excursão até o Parque Nacional Los Glaciares. Um trajeto de 80 km onde mudamos da paisagem arenosa e desértica (onde encontramos algumas criações de gado, lhama e carneiros), onde deixamos de avistar o Lago Argentino e logo pudemos ter em vista o Braço Rico que seria o “outro lado” do Lago Argentino que é “dividido” pelo Glaciar Perito Moreno. Adentramos numa região florestal, mas em uma pequena parte se tratavam de um cemitério de árvores, pois estas foram cortadas para suprir a demanda das residências que queriam resolver seus problemas de calefação.

Já era possível ver imensos picos gelados nas montanhas logo ao fundo. Acho incrível essa sensação de avistar uma montanha aos poucos enquanto se está andando de carro. Elas, sutilmente, vão ganhando corpo e se tornando imensas. Essa sensação de imensidão é magnífica.

Braço Rico

Logo a frente mostrou-se uma imensa língua áspera de gelo que escorria por entre algumas montanhas. Era o Glaciar Perito Moreno. Um corpo de gelo glaciar, com 30 quilômetros de comprimento e 5 quilômetros de largura, que escorre lentamente até tocar a fundo do vale. Mas, curiosamente, ao tocar o fundo do vale, que dá de encontro com outra montanha ele cria uma espécie de filtro, onde de um lado fica o Braço Rico que tem uma coloração verde, porém leitosa, e do outro lado (passando pelo filtro de gelo glaciar) está o imenso Lago Argentino, verde também, mas com uma cor mais fresca como de uma pedra Esmeralda.

Glaciar Perito Moreno

Eu imaginava que seria horrivelmente frio, mas era super tolerável (afinal é verão em no hemisfério sul). Ao chegarmos nas passarelas que davam vista para “mirar” o Glaciar Perito Moreno podíamos imaginar o tempo que demorou para aquelas neves que caiam e se acumulavam lá no fim dos 30 quilômetros demoraram até se tornar o gelo que estava na ponta deste imenso Glaciar. Um paredão de 40 a 70 metros estava aparente, fora da água. Mas dentro d’água tinha até 120 metros, chegando a tocar o fundo.

vista da face norte fica para o Lago Argentino

Lindas matas de árvores que pareciam pinheiros estavam nas montanhas aos lados do Glaciar. Coisa de filme! Um contraste de cores. Havia os dois verdes distintos do Braço Rico e do Lago Argentino, o branco azulado do Glaciar, o cinza das montanhas com pontas brancas, e o verde das matas. O céu estava mudando constantemente de nublado para azul límpido.

vista da face norte fica para o Braço Rico

Depois de El Calafate partimos para o extremo sul, ou para a região mais austral das américas: para a Tierra Del Fuego, mais especificamente a Ushuaia. Toda aquela região desértica, de quando saímos do aeroporto, se transformou em misto de águas e pequenas montanhas com picos brancos. Mas havia também muita nuvem (risos). Mas nuvens carregadas de gelo brilhante (no dia em que chegamos havia nevado, mas não conseguimos ve-la em terra).

Vista para o Canal de Beagle

A vista de Ushuaia é bem diferente de El Calafate. Há o canal de Beagle, que leva as embarcações do Oceano Atlântico para o Oceano Pacífico e vice e versa. Há as montanhas chilenas ao sul, e há lindas montanhas ao norte da cidade (que são bem próximas). Pudemos visitar a bela e escondida Laguna Esmeralda como Palominha descreve neste artigo aqui. Além de irmos até o maravilhoso Parque Nacional da Tierra do Fuego. Região próxima de onde Leonardo Di Caprio gravou os últimos 10 minutos do filme O Regresso.

Laguna Esmeralda

O Parque é um misto de montanhas, lagos calmos e cristalinos e florestas com arvores tão antigas quanto posso imaginar. Haviam sempre pedras curiosas por todas as partes. Onde fica localizado a caixa de correio mais austral do mundo, haviam umas pedras esverdeadas lindas na costa do mar.

Correo del Fin del Mundo

Mas o que ganhou meu coração foi as margens do Lago Roca. Uma paz estava naquele lugar, tão cristalina quanto as águas que permitiam a nós ver as pedras polidas em seu fundo.

Lago Rocca

Confesso que foi exaustivo conhecer tanta beleza assim. Mas, sem dúvida, valeu muito a pena. Eu e Palominha pudemos conhecer pessoas de vários lugares, que conheceram diversos destinos no mundo todo. E todas estavam tão impressionadas com a diversidade de paisagens em um pequeno lugar, que nunca viram em outro lugar no mundo.

Pedras verdes as margens do Canal de Beagle

Eu sou completamente suspeito. Mas posso lhes afirmar que é um lugar mágico que vale a pena ser conhecido. Nós queremos voltar num inverno para termos mais um banho de paisagens lindas.

E quando voltarmos, pode ter certeza, que iremos compartilhar em detalhes aqui com vocês!

Um abraço, Bruno Marangoni, um Jovem Nômade.

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